MEDIUNIDADE OU NEURODIVERGÊNCIA?


Desde o início da consciência humana, o ser humano busca soluções para os seus problemas. O que não encontramos soluções, criamos explicações. 

Quando o ser humano não entendia a origem das doenças e não sabia como resolver, criava explicações. Dor de dente ou dor de cabeça eram associadas à espíritos malignos (demônios). Com o desenvolvimento da ciência aprendemos a manipular medicamentos e descobrimos a causa de muitos problemas de saúde. Mas algumas doenças, tanto físicas como mentais, ainda não aprendemos a solucionar totalmente. Por isso há certa resistência de algumas pessoas e apego às explicações religiosas e espiritualistas.

A ciência continua evoluindo e investigando a causa das doenças e buscando soluções, sem se prender às explicações que não resolvem os problemas. É fato que o estresse emocional e problemas psicológicos podem se manifestar no corpo através de dores, esse fenômeno é chamado de somatização. Porém, suas causas não são espirituais, e sim provocadas por situações da vida real. A fé também pode ser uma boa aliada na recuperação de doenças ou, no mínimo, tranquilizar as emoções quando não há uma saída. 


Muitos líderes religiosos se recusam a desapegar do poder que a religião lhes dá, e por isso se mantêm apegados à crenças antigas. Tentam reivindicar para si a capacidade de solucionar problemas que a medicina ainda não dominou, como os transtornos mentais e neurodivergências. 

A religião e a espiritualidade nasceram para suprir a necessidade humana por tentar compreender as forças invisíveis que movimentam a vida na terra e no universo. Essa necessidade nos levou a desenvolver a física, a química, a astronomia e também a psicologia. 


TRANSTORNOS MENTAIS 


Todos nós temos uma voz interior, que são os nosso pensamentos. Alguns são produzidos conscientemente, quando refletimos sobre algum assunto. Mas há também os pensamentos inconscientes, eles são gerados por nossas emoções. 

A criação que tivemos na infância e nossa saúde emocional atual afeta a qualidade dos nossos pensamentos, conscientes e inconscientes. Por isso algumas pessoas são autoconfiantes e outras muito inseguras. 

A criação e o ambiente também afeta a qualidade dos pensamentos de uma pessoa com transtorno mental. Uma pessoa com esquizofrenia que teve uma boa infância e na fase adulta recebe tratamento adequado, tem mais chances de sair das crises com menos sequelas do que uma pessoa que teve uma infância muito desafiadora e não recebe os cuidados necessários na fase adulta. 

A criação, o ambiente e o estado emocional também vão afetar os pensamentos e comportamentos em outros transtornos mentais, como tdah e bipolaridade, por exemplo. 

A esquizofrenia, na minha humilde e ignorante opinião, me parece ser o transtorno mais desafiador para uma pessoa. É antiético, anti-humano e deveria ser crime tentar convencer uma pessoa com pensamentos negativos ou alucinações que a causa disso são demônios ou espíritos obsessores. Até mesmo quando o problema é uma depressão ou ansiedade. Esse tipo de argumento pode afetar a autoestima do indivíduo, fazendo-o acreditar que é mais vulnerável a ataques espirituais por não ser merecedor da proteção de Deus ou algo do tipo. 

No passado, quando não tínhamos explicações melhores, essas crenças foram úteis para algumas pessoas. Mas agora temos explicações melhores e medicamentos para ajudar as pessoas que não conseguiram se sentir melhor apenas com crenças espiritualistas. 


ALTAMENTE SENSÍVEL 


Algumas pessoas são altamente sensíveis, e isso não se dá por conta de um espírito mais ou menos elevado ou qualquer outra explicação sobrenatural. São pessoas que possuem alguns ou todos os sentidos mais aguçados: visão, olfato, audição, paladar e tato. 

Cada interação que temos com o mundo através dos sentidos, gera uma emoção, que gera um pensamento. Quanto mais sensível você for, mais intensas são suas emoções e maior a quantidade de pensamentos. A criação e o ambiente também vai afetar os pensamentos de uma pessoa altamente sensível. 

A alta sensibilidade também é uma característica presente em pessoas autistas, superdotados e em outros transtornos, como trauma complexo. É como um mecanismo de defesa mais aguçado para sobreviver às possíveis ameaças do ambiente. 


Durante uma conversa a pessoa altamente sensível pode perceber que a outra pessoa não está interessada. Se ela for compreensiva e confiante, vai respeitar a falta de interesse do outro. Mas se a pessoa sensível for insegura, ela pode ter pensamentos negativos do tipo: "não sou interessante", "não sei me expressar" ou "tudo o que me interessa é idiota ou inútil, por isso ninguém quer me ouvir".

Se a religião e outras práticas espiritualistas te fazem bem, ótimo! Mas se você tem pensamentos negativos e sente culpa por achar que esses pensamentos são espíritos ruins, baixa vibração ou qualquer explicação que afete sua autoestima e valor próprio, e tudo isso está gerando ansiedade e atrapalhando seu bem-estar, busque ajuda de um psicólogo ou converse com alguém de sua confiança que não possui vínculos religiosos. Essa pessoa pode te oferecer uma perspectiva mais realista da situação, te ajudando a avaliar melhor o que é bom ou não para sua saúde mental e bem-estar físico e emocional. 


ALGUMAS CARACTERÍSTICAS MAIS COMUNS EM PESSOAS ALTAMENTE SENSÍVEIS 


Cansaço ou desgaste energético: pessoas altamente sensíveis podem se sentir muito mais cansadas do que as outras pessoas depois de um dia de trabalho ou um evento social. A alta sensibilidade gera muitos pensamentos, isso deixa o cérebro cansado. Então se o ambiente for estressante ou você tiver que interagir com pessoas que te deixam desconfortável, seu cérebro vai te manter hipervigilante, observando tudo e sempre preparado para algo inesperado. 

Não é culpa das outras pessoas. Não alimente esse tipo de ideia. Uma pessoa arrogante pode se sentir mais confiante ao descobrir que alguém não gosta dela, por achar que é invejado ou algo do tipo. Mas a pessoa sensível pode ficar triste por achar que tem algo de errado com ela. A melhor forma de lidar com esse desgaste é evitar frequentar certos lugares e interagir com pessoas que causam estresse e desconforto. Se não for possível, como no caso de um emprego, o melhor a fazer é descansar o quanto puder. Fazer atividades relaxantes e prazerosas nas horas livres e criar um plano para mudar de emprego ou de setor dentro da empresa. 


Medo ou desconforto do escuro: esse é mais difícil de identificar em adultos, pois nos forçamos a dormir no escuro. Mas observe como você se comporta quando está no escuro. Você dorme bem a noite inteira? Quando você acorda para ir ao banheiro ou beber água, você anda pelo quarto intuitivamente e mal enxerga nada, ou você fica super alerta, se assusta com uma roupa pendurada ou com um cobertor amontoado no canto? Estranhar um ambiente novo, como a nova casa ou um quarto de hotel, é justificável. Mas o nosso quarto, que dormimos todos os dias, deveria ser um local confiável e não assustador. 


Sensibilidade à violência: você até pode gostar de filmes de terror, mas a história permanece na sua cabeça por dias. E isso não se restringe a filmes diferentões, com finais inusitados. O que você sente é uma preocupação e tristeza pelas coisas ruins da história, seja um filme ou noticiário. Eu demorei muito para me reconhecer como altamente sensível, pois eu assistia filmes de terror desde a infância. Depois que eu reduzi esse tipo de filme (um ou dois por ano), os pesadelos e sonhos desconfortáveis pararam, e raramente eu lembro de algum sonho ao acordar. Passei a dormir melhor e parei de sofrer com a paralisia do sono.


Sensibilidade a texturas, tecidos, etiquetas de roupas, joias, maquiagens. Sensibilidade a cheiros, dificuldade de usar perfumes. Dificuldade em ficar confortável fora de casa porque tudo chama a atenção: cheiro do ambiente, das pessoas, dos lençóis; estranha o gosto e o preparo dos alimentos; se incomoda com barulho prolongado, se irrita com o timbre de voz de alguns cantores; fica cansado mais facilmente do que as outras pessoas, seja no trabalho ou numa festa.


Esses são alguns exemplos de características de pessoas altamente sensíveis. Foquei nas características que identifiquei em mim mesma, mas você pode buscar mais informações na Internet ou em livros, e descobrir outras características que você possui e eu não citei.


Vou recomendar o livro que estou lendo: "Pessoas Altamente Sensíveis" - Elaine N. Aron, clique aqui para acessá-lo. Tem me ajudado bastante no meu processo de autoconhecimento. 


A alta sensibilidade teve uma função crucial na sobrevivência dos nossos antepassados. Ajudou a ouvir relâmpagos distantes e encontrar abrigo antes que a chuva os alcançasse, sentir o cheiro de uma queimada se aproximando e etc. Talvez a função da alta sensibilidade na atualidade seja a empatia. Se colocar no lugar do outro para tentar encontrar formas de conscientização mais eficientes. Eu entendo que uma pessoa só pode receber ajuda se assim ela desejar, mas muitas pessoas estão buscando ajuda e não estão encontrando, pois quem se propõe a ajudar está mais interessado em impor suas ideias do que em encontrar uma solução mais eficiente


Cuide da sua mente, mas lembre-se que ela é somente uma manifestação do seu estado físico e emocional. Então cuide do seu corpo e das suas emoções. 


Meu ebook sobre como conviver com o desânimo, clique aqui


Lara Simão 

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